Lê isso aí, ô! - Ricardo Polinesio


Separados no Nascimento

Tá, isso não é um texto. Aliás, está longe de ser.
Mas é foda, eles são muito parecidos.
Um é o João, dono do ZG. O outro é o Riberpeixe.
Só resta mesmo é saber quem é quem.





Escrito por Ricardo Polinesio às 15h26
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O Terror das Empregadas

Sempre foi o terror das empregadas. Desde que entrou na puberdade, Alessandro vivia atormentando as domésticas da sua casa. Não deixava nenhuma passar em branco. Era assobio pra cá, beliscão na bunda pra lá e, invariavelmente, um tabefe na cara como resposta de tais galanteios. Mas isso estava longe de ser um problema para o menino. Alessandro era tarado pelos tabefes bem dados em sua face.

- Alessaaaandro

- Que foi, Natinha?

- O que você vai querer comer no almoço?

- Quero comer você, ué.

- Cataplaft! – Mais um tapa na cara para a coleção do garoto.

Não tinha empregada que aguentasse 2 meses na casa de Alessandro. E não adiantava sua mãe contratar senhoras de idade, desdentadas ou qualquer tipo diferente. Por mais caricata que a doméstica fosse, lá estava ele aprontando das suas.

Em pouco tempo a fama do menino se espalhou pela região. Sua mãe já não conseguia mais contratar ninguém para trabalhar em casa. Foi aí que o “Terror das Empregadas” começou a atacar até no meio da rua. As domésticas já não tinham mais sossego nem na hora de ir à feira.

Alessandro até conseguia levar algumas delas para a cama, é verdade, mas o fato é que o garoto tinha muito mais fama do que conquistas em sua curta carreira de terror das empregadas. Mesmo porque, ele gostava mesmo é de tapa na cara.

- Mas que bundinha, hein!

- Sai pra lá, menino!

- Vai…rebola assim, que eu gosto!

- Vou te dar um tapa, hein, moleque!

- Isso, bate na cara!!

- Cataplaft! – Pode colocar mais um tabefe na conta.

O “Terror das Empregadas” se deliciava com sua fama. Contava para os amigos, mostrava as marcas dos dedos que viviam estampados em sua cara e fazia até um ranking de quantos tabefes já tinha levado de cada doméstica que conhecia.

Cansado da rotina, Alessandro resolveu atacar de uma nova maneira. Diferentemente das outras vezes, quando abordava as domésticas pela frente e em plena luz do dia, decidiu que agora faria um ataque noturno, e pior, pelas costas. Na sua cabeça, se o susto da empregada fosse maior, a violência do tabefe também seria.

O garoto preparou a tocaia. Escondeu-se no beco mais escuro da região, e ficou ali, só preparando o bote. Até que lá pela meia-noite, uma desavisada passou pelo local. E o susto foi tão grande, que a moça teve um infarte fulminante e bateu as botas. Abotoou o paletó de madeira. Partiu dessa para a melhor. Caiu preta e dura no chão. Morreu.

Alessandro não conseguiu o super-tabefe que tanto queria. Mas o apelido de terror das empregadas, agora fazia mais sentido do que nunca.



Escrito por Ricardo Polinesio às 14h38
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Mundo Animal

Amigos há tempos, os dois se encontraram no mesmo bar de sempre. E, entre uma cerveja e outra, entraram em uma conversa um tanto quanto estranha sobre as mulheres que eles conheciam. Ou seria sobre o mundo animal?

- Cara, você lembra da Aninha?

- Qual, aquela que tinha pescoço de girafa?

- Não, sua mula, aquela que trabalhava comigo…

- Ah sim…aquela vaca que me chifrou!

- Te chifrou?? Eu bem que tava te achando com uma cara de touro mesmo…

- Se eu pego aquela égua, eu mato.

- Bom, nesse caso, eu faria o mesmo…mas mudando de assunto…é verdade que você saiu com a Teresa?

- Faça-me o favor, né, seu jumento….aquela lá, é mais gorda que uma porca.

- Você é um animal mesmo…

- Animal? Pô, você sairia com aquela elefoa?

- Eu namoro, cara.

- Verdade…e é com aquela galinha da Janaína, né?

- Que isso, rapaz? Virou rato agora?

- Brincadeira…

- Mas e a Joana?

- Aquilo lá é uma cobra!

- E a Judite?

- Já sentiu o bafo-de-onça dela?

- E a Fernanda?

- Com aquele nariz de tamanduá? Tô fora!

- Marcela?

- Aquela cachorra não quer nada comigo!

- Também, com essa barbicha de bode…

- É estilo!

- Sei…mas e a Mariana?

- Não curto macaca.

- Olha o preconceito…hoje em dia dá cadeia, hein!

- É jeito de dizer…

- Tatiana?

- Tem dente de esquilo.

- Jéssica?

- Parece uma pata quando anda, já reparou?

- E a Flávia?

- Com aquele cérebro de formiga dela?

- Tá certo….agora, da Juliana você não tem o que dizer…

- Tem bigode de foca.

- E a Heloísa?

- É tão corcunda, que mais parece um camelo!

- Andréia?

- Grita mais que uma cabrita, aquela porra!

- Já sei…a Sandrinha!

- Não é ela que tem olho de coruja?

- Escuta cara, tô achando que você é meio veado!

- Que nada rapaz, é que eu só tenho olhos para a Manuela….aquela sim é uma gata!


NOTA DO AUTOR: Como é que pode o gato, um animal escroto, interesseiro, arisco, sacana, imundo, mau caráter, nojento, filhote do demo, neto do cruz credo e bisneto do coisa ruim, ser o único bicho do mundo animal que sirva como um elogio???



Escrito por Ricardo Polinesio às 14h49
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Dia de Feira

Entre a barraca de peixes e a barraca do pastel, lá estava uma senhora, toda toda, de óculos escuros e tudo, se achando a dona do pedaço. Odete se aproximou, assim como quem não quer nada. Ficou um tempão só observando de canto de olho até concluir que, 30 anos depois, lá estavam as duas, frente a frente novamente.

- Você por aqui?

- Desculpa, eu te conheço?

- Eliane, não é?

- Acho que a senhora está me confundindo…

- Confundindo? Eu tenho memória fotográfica, Eliane!

- Meu nome não é Eliane!

- Mas que cara de pau….mudou de nome, é?

- Sai daqui…por favor!!

- Quem diria, hein, Eliane….30 anos depois…

- Eu já falei que não me chamo Eliane!

- Vai, tira esses óculos escuros, que eu quero ver!

- Eu não posso com o Sol.

- Que foi, tá com medo? Tira os óculos…

- Me larga!

- Eu esperei 30 anos por este encontro…

- Isso não é um encontro!

- Você continua com aquele traste?

- Não sei do que você está falando…

- Não se faça de sonsa, Eliane…

- Eliane é a puta que te pariu!

- Aposto que você aprendeu a falar assim com o seu marido…

- Mas eu nem sou casada…

- E essa aliança aí no dedo?

- Sou viúva…

- O Aguinaldo bateu as botas?

- Como é que eu vou saber??? Não sei quem é Aguinaldo….aliás, nem sei quem é você!

- Ora…não me venha com essa, Eliane…tira essa máscara antes que eu arranque…

- Já falei que eu não chamo Eliane!

- Me deixa ver sua identidade!

- Me larga, me larga!

- Só quero ver a foto…

- Vai pra lá!!! Me largaaaa!!!

Odete tinha certeza de que finalmente tinha encontrado Eliane e partiu para a briga com toda sua força. Ela só não sabia que de Eliane, aquela senhora não tinha nada.

Assustada, a mulher não sabia mais o que fazer. Pensou em pegar a peixeira do peixeiro e enfiar na jugular daquela doida varrida. Pensou em jogar Odete contra a frigideira de óleo quente do pasteleiro para desfigurar ainda mais aquela cara feia. Pensou até, vejam só, em aceitar aquela loucura e dizer que realmente era ela a tal Eliane.

Mas de tanto pensar, a mulher acabou caindo do cavalo. Quando a polícia chegou para colocar ordem na baderna em que a feira havia se transformado, ninguém quis saber quem começou a briga. Foi cacetete para tudo quanto é lado e as duas acabaram dentro do mesmo camburão, algemadas, rumo ao hospício mais próximo. E enquanto uma gritava “Meu nome é Teresa! Meu nome é Teresa!”, a outra retrucava “Impostora! Impostora!”.


Escrito por Ricardo Polinesio às 17h53
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, ITAIM BIBI, Homem, de 26 a 35 anos



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