Lê isso aí, ô! - Ricardo Polinesio


Um Brinde

A mesa estava posta como há muitos anos não se via naquela casa. Desde a última comemoração do casal em Agosto de 86 (ou seria 87?), aqueles castiçais não ocupavam espaço na mesa de jantar. Muito menos as taças de cristal, os talheres de prata e até os guardanapos de linho.

Dessa vez não seria uma comemoração surpresa, como havia sido há 22 anos (ou seriam 21?). Alice havia levado meses planejando aquele jantar até finalmente conseguir escolher o cardápio, o vinho e até a trilha sonora.

Depois de passar horas no cabeleireiro se preparando para o tão aguardado momento, Alice estava deslumbrante. Até vestido novo ela tinha comprado. E graças aos inúmeros pedidos da esposa, Olavo não havia deixado por menos. Depois de um belo banho, com direito a loção pós barba e tudo, escolheu o seu melhor terno para a ocasião.

- E então Alice, qual o motivo desta comemoração?

- Hoje é uma noite especial, Olavo…

- Isso você já me falou…quero saber o motivo…

- Deixa de perguntas, querido…vamos comemorar!

- Bom, se é assim que você quer…

- O som está bom para você?

- Perfeito!

- A altura está boa?

- Pra ser sincero, eu aumentaria um pouquinho…

- Deixa comigo…

- Huuum…o cheiro da comida está uma delícia…

- Filé ao molho madeira, seu prato predileto!

- Bem que eu desconfiei…

- Você vai adorar!

- Espero que desta vez você tenha acertado…

- Dessa vez eu caprichei, querido…

- Já estou com água na boca.

- Falando nisso, aceita um gole de vinho?

- Ah, pode deixar que eu sirvo.

- Não se mexa, meu amor…hoje você é o meu convidado…

- Tudo bem…

- Ai…sua gravata!!…derrubei na sua gravata…é nova?

- Na verdade era nova sim…

- Vem cá, eu passo uma água…

- Não precisa…

- Eu faço questão…aproveito e roubo um beijo…

- Fazia anos que você não me beijava assim, Alice…

- Vamos fazer um brinde!

- Um brinde a que?

- Ao nosso casamento, querido!

- Esqueci…hoje é nosso aniversário de casamento…é isso, Alice?

- Não…nosso aniversário é só em Outubro…

- Mas então?

- Deixa de perguntas, querido…vamos comemorar!

- Bom, então, um brinde ao nosso casamento…

Depois do tilintar das taças, o casal teve um jantar dos deuses. Tudo correu muito bem. O ambiente estava perfeito, o vinho estava excelente, a comida parecia ter sido preparada por um dos melhores chefes franceses e até o papo rendeu como nunca. Eles nem pareciam mais aquele casal que mal se falava desde 86 (ou seria 87?).

Alice chegou a se entusiasmar com a possibilidade de recuperar o casamento, mas ao esboçar o primeiro sorriso percebeu que já era tarde demais. Agora, enquanto Olavo suava frio e se debatia no chão da sala de jantar, Alice chorava copiosamente. Maldita hora em que ela resolveu incluir arsênico em sua receita.


Escrito por Ricardo Polinesio às 18h27
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Elogios

Naquela manhã quando ela voltou das férias no spa, com um corpo de fazer inveja a qualquer miss ou dançarina de axé, Paulo Roberto foi curto e grosso.

- Quanto tempo, Maria Emília.

- Saudade de mim?

- Você sabe que eu não aguento ficar longe dessa sua barriguinha de chope.

- Barriga de chope é a puta que te pariu, seu saco de bosta!!!

Cheia de raiva do marido, Maria Emília não teve dúvidas: pegou o carro e foi direto para o cabeleireiro. Ao voltar para casa, toda cheia de si com o novo visual, Paulo Roberto não deixou por menos.

- Cortou o cabelo, é?

- Não acredito, você resparou!!!

- O que aconteceu, o cabeleireiro tava bêbado?

- Seu viado imbecil…vá se foder!

Já era tarde, quase noite e ela foi se arrumar. Resolveu deixar os insultos de lado e se produziu toda, afinal, estavam comemorando o primeiro aniversário de casamento. Mas ao botar os pés para fora do quarto com o vestido novo, Paulo Roberto a olhou dos pés à cabeça e não titubeou.

- Huuum…

- Que foi, Paulo Roberto?

- Esse vestido…

- É novo, gostou?

- O vestido é até bonitinho…o conteúdo é que não ajuda.

- Vai tomar no olho do seu cu, corno filho da puta.

Voltaram para casa e foram para a cama. Paulo Roberto se deitou e antes de ligar a TV, olhou para a esposa. A imagem que viu foi a de sua amada com um baby-doll vermelho semi transparente. Ele então respirou fundo e soltou o verbo.

- Que roupa é essa?

- É pra você, amor.

- Ficaria mais sexy no botijão de gás.

- Seu merda. Viado. Filho da puta. Cuzão. Pau no cu do caralho!! Vá se foder, porra!!!

A partir daí, foi sexo a noite inteira. Com direito a cama quebrada, reclamação dos vizinhos e lençol lambuzado de mel e creme de chantilly. Paulo Roberto era assim mesmo: adorava palavrão em boca de mulher.


Escrito por Ricardo Polinesio às 15h04
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SPORT

Esse texto é só pra lembrar que o Corinthians se fodeu mais uma vez. CHUPA GALINHADA!!!!

Escrito por Ricardo Polinesio às 00h20
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, ITAIM BIBI, Homem, de 26 a 35 anos



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